CRE aprova embaixadores para Países Baixos, Kwait, Geórgia e Ucrânia

No esforço da Comissão de Relações Exteriores (CRE) para votar as indicações de dezenas de diplomatas, pendentes desde o início da pandemia de covid-19, mais quatro embaixadores foram aprovados pelos senadores na manhã desta segunda-feira (21): Paulo Roberto Caminha de Castilhos França, para os Países Baixos; Osvaldo Biato Junior, para a Georgia; Francisco Mauro Brasil de Holanda, para o Kwait e Bahrein; e Norton de Andrade Mello Rapesta, para a Ucrânia e a Moldova. Todos receberam 18 votos favoráveis e 1 contrário. Os nomes precisam ser confirmados em votação no Plenário do Senado.

Países Baixos

O diplomata Paulo Roberto Caminha de Castilhos França, natural de Porto Alegre e que está na carreira diplomática desde 1981, foi aprovado na CRE para comandar a embaixada do Reino dos Países Baixos, conhecido dos brasileiros como Holanda, mas na verdade integrado por outros três países: Aruba, Curaçao e São Martinho. Classificados pelo candidato como tendo uma “economia rica e pujante”, os Países Baixos tem Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 1 trilhão.

— Caso o Senado me honre com sua aprovação, eu pretendo trabalhar com determinação para fortalecer os laços de amizade entre os nossos dois países e dinamizar ainda mais as relações econômico-comerciais que tantos benefícios trazem para o Brasil.

Os Países Baixos são o maior mercado para as exportações brasileiras na Europa, sendo o segmento agropecuário o carro chefe, mas também com espaço para produtos de alto valor agregado, como embarcações e plataformas petrolíferas. Há várias empresas neerlandesas que atuam no Brasil e geram significativa quantidade de empregos, como Shell, Philips, Unilever, Makro, Heineken, C&A, ABN Amro, entre outras. Também há várias empresas brasileiras instaladas no país, como Petrobras, Embraer, Braskem, Cutrale, Bertin Agropecuária.

O relator, senador Carlos Fávaro (PSD-MT) frisou o potencial de cooperação bilateral em ciência, tecnologia e inovação, que se afigura bastante promissor. Os Países Baixos atingiram a primeira posição em matéria de inovação na Europa e o segundo lugar no ranking mundial.

Ao responder a questionamentos dos internautas, que participaram das sabatinas enviando perguntas, Paulo Roberto frisou que pretende dar prioridade ao desenvolvimento da cooperação científica entre os dois países. Os neerlandeses têm uma área de Ciência e Tecnologia dinâmica, e estão na ponta da inovação em vários setores como sustentabilidade, indústria e agricultura de precisão, tecnologia da informação e recursos hídricos.

Geórgia

Osvaldo Biato Junior foi aprovado para assumir a embaixada da Geórgia. Brasileiro nascido em Buenos Aires (Argentina) e formado em Economia, ingressou na carreira diplomática em 1981 e é o embaixador do Brasil na Ucrânia desde 2016.

A Geórgia, segundo Biato, é um dos mais antigos países da região do Cáucaso, nascido no século 9, vivido 200 anos de pujança e sucessivamente invadido por outros países. O império Russo foi o último, e o dominou até sua libertação em 1991. Hoje, quer aderir à União Européia e deixar de ter influência russa, mas isso tem custado a paz ao local. A Rússia invadiu o país em 2008 e dá suporte ao separatismo da Abecásia e Ossétia.

No plano econômico, é o país que mais avançou em reformas econômicas liberais da ex-União Soviética, juntamente com os países bálticos.

Em 2007, o Banco Mundial o considerou o país mais reformista do mundo. Em 2019, o Banco Mundial o considerou o sexto lugar no levantamento do Banco Mundial sobre a facilidade de realizar negócios. Em 2018, a transparência internacional considerou a Geórgia o país mais honesto da região da Bacia do Mar Negro.

— Graças a essas reformas, a Geórgia possui hoje uma economia dinâmica, aberta, que dá boa acolhida ao capital estrangeiro e, consequentemente, vem recebendo muitos investimentos — disse o embaixador.

O relator da indicação, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), lembrou que a Geórgia tem apoiado o Brasil em diversas candidaturas para organismos e conselhos internacionais.

Kwait e Bahrein

O embaixador Francisco Mauro Brasil de Holanda foi aprovado para assumir as embaixadas do Kwait e Bahrein. Economista, ingressou na carreira diplomática em 1981.

— As ações que proponho são, em grande medida, uma continuidade das que estão em curso, com alguns matizes. Identifico três temas prioritários na agenda bilateral com os dois países: investimentos, comércio e cooperação militar. E vejo duas outras áreas que, a meu juízo, podem frutificar: diálogo político e cooperação técnica em terceiros países, em associação com o Kuwait — disse o embaixador.

Francisco Mauro frisou que os dois países têm fundos soberanos substanciosos. O Fundo Kuwaitiano é o quinto maior do mundo, com uma carteira da ordem de US$ 535 bilhões e investimentos no Brasil estimados em cerca US$ 2 milhões. Os dois países têm interesse em participar do programa brasileiro de privatização e têm negociado acordos bilaterais nas áreas de cooperação e facilitação de investimentos.

— Vou empenhar-me para a conclusão exitosa dessas negociações bilaterais — garantiu.

O Brasil é o principal fornecedor de frango congelado para ambos os países e está retomando as exportações de carne bovina para o Kuwait, suspensas há alguns anos. Há ainda condições favoráveis para o minério de ferro no Bahrein. O embaixador disse que vai estimular a exploração e a diversificação das exportações brasileiras para ambos os países.

Sobre a agenda de defesa, Kuwait e Bahrein são importantes mercados para produtos de defesa e têm interesse em estabelecer mecanismos de consulta e diversificar suas fontes de suprimento e de parceiras tecnológicas. O Brasil se apresenta como uma importante opção, frisou.

O relator da mensagem, senador Zequinha Marinho (PSC-PA), destacou que o Kuwait tem no Brasil um dos seus principais parceiros estratégicos em segurança alimentar. Também exportamos frutas e sapatos. Para o Bahrein, o Brasil exporta minério de ferro e, carnes de aves e importa produtos de fiação, adubos ou fertilizantes e óleos combustíveis de petróleo.

Ucrânia e Moldova

O embaixador Norton de Andrade Mello Rapesta foi aprovado para assumir as embaixadas da Ucrânia e da Moldova. É formado em Direito e concluiu o curso de preparação à carreira diplomática em 1982.

Segundo ele, o relacionamento entre Brasil e Ucrânia passa por um bom momento após um período de dificuldades entre 2015 e 2018, por causa do fim do programa espacial e pela queda do comércio bilateral. Na avaliação do diplomata, é o momento de procurarmos reativar esse relacionamento.

— Caso venha a ser honrado com a aprovação de meu nome por esta Comissão e pelo Plenário do Senado, pretendo reforçar a presença do Brasil na Ucrânia com a identificação de possibilidades para ampliar a cooperação parlamentar. Eu acho fundamental a participação da Comissão de Relações Exteriores, do Parlamento Brasileiro, no acompanhamento das questões internacionais, e a Ucrânia — etimologicamente, Ucrânia quer dizer “país da fronteira” — é um país que está hoje no meio de uma disputa entre União Europeia, Estados Unidos e Rússia – defendeu.

O senador Esperidião Amin (PP-SC) lembrou que a Ucrânia vive um momento conturbado, com conflitos na Criméia, para a reincorporação à federação Russa. Ele sugeriu que a CRE, ao retomar as atividades normais, deveria se debruçar sobre o assunto.

Sobre a Moldova, Norton frisou haver pouco contato entre os dois países e que essa pode ser uma oportunidade de estabelecer uma cooperação em agricultura poderia acontecer, especialmente no setor de vinhos, já que são grandes produtores e exportadores.

Outro setor a ser explorado é o agrícola, frisou o candidato, além da tecnologia da informação, aeroespacial, e educacional porque a Ucrânia tem ótimas universidades em ciências exatas.

Segundo o relator, senador Major Olímpio (PSL-SP), os principais produtos exportados pelo Brasil para a Ucrânia em 2019 foram: café, tabaco, aparelhos mecânicos, amendoim, tripas, bexigas e estômagos de animais, açúcar, cítricos. Os principais produtos importados da Ucrânia foram: produtos farmacêuticos, laminados de ferro e aço, aquecedores elétricos de água, malte, aparelhos elétricos para telefonia. Na Moldova, explicou, a agenda política e econômica é incipiente.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: http://www12.senado.gov.br/noticias/noticias/materias/2020/09/21/cre-aprova-embaixadores-para-paises-baixos-kwait-georgia-e-ucrania
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