CRE aprova indicações para embaixadas em Burkina Faso, Irã e África do Sul

A Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou, na tarde desta segunda-feira (21), as indicações de três embaixadores. A embaixada do Brasil no Irã será chefiada pelo diplomata Laudemar Gonçalves de Aguiar Neto. Ellen Osthoff Ferreira de Barros foi aprovada para exercer o cargo de embaixadora do Brasil em Burkina Faso. Sérgio França Danese será o chefe da representação brasileira na África do Sul. Ele vai acumular o cargo com as representações no Reino do Lesoto e na República de Maurício.

Todas os nomes foram aprovados com 18 votos a favor e apenas um contrário, mas as indicações ainda precisam ser confirmadas pelo Plenário do Senado. A previsão é que a apreciação dessas indicações em Plenário ocorra nesta terça-feira (22), dentro de um esforço para votar 32 nomes de autoridades.

O senador Esperidião Amin (PP-SC) definiu a reunião da CRE como histórica, diante da situação semipresencial, com votações em totens especialmente criados para esta reunião. A ideia era seguir as recomendações de distanciamento, como forma de evitar o contágio e a propagação do coronavírus. Amin destacou a rapidez e a eficiência das votações e exaltou o papel do presidente da comissão, Nelsinho Trad (PSD-MS), na condução das sabatinas.  

 

África do Sul

Se tiver seu nome confirmado no Plenário do Senado, Sérgio França Danese será o embaixador do Brasil na África do Sul. Ele nasceu em 1954, em São Paulo (SP). Graduou-se em letras modernas em 1976, pela Universidade de São Paulo (USP), e concluiu sua pós-graduação em 1979, em letras latinas, pela Universidade Nacional Autônoma do México. Sérgio Danese iniciou sua carreira diplomática em 1981 e ocupou o cargo de assessor especial da Presidência da República, entre 1985 e 1987. No exterior, ele ocupou cargos nas embaixadas em Washington, Paris e Cidade do México.

Danese disse que a África do Sul é um país especial e destacado nas relações internacionais, com enorme potencial econômico. A desigualdade econômica e a violência urbana, segundo o diplomata, aproximam a África do Sul e o Brasil. Ele ainda destacou que a África do Sul é um parceiro estratégico e um vetor importante para que o Brasil alcance o continente africano.

— É um país com uma liderança imensa na África, com muitas riquezas e com grandes desafios. Meu trabalho será de aprofundar o enorme diálogo político, que já existe, e estreitar as relações comerciais e diplomáticas — declarou.

Sérgio Danese vai acumular o cargo com as representações brasileiras no Reino do Lesoto e na República de Maurício. Lesoto é um pequeno país com pouco mais de 2 milhões de habitantes totalmente rodeado pela África do Sul. Maurício é um país insular do oceano Índico, a cerca de 2 mil quilômetros da costa sudeste do continente africano. O país tem cerca de 1,4 milhão de habitantes.

O diplomata teve sua indicação relatada pelo senador Fernando Collor (Pros-AL). O senador lembrou que a África do Sul tem população estimada em 56 milhões de habitantes, com grande diversidade cultural, com várias línguas e religiões. Segundo Collor, Brasil e África do Sul estabeleceram relações diplomáticas em 1948 e, desde o final do regime do apartheid, vêm aprofundando e diversificando seu relacionamento.

Irã

Caso seja confirmado no Plenário, o diplomata Laudemar Neto vai chefiar a embaixada do Brasil no Irã. Ele nasceu em Niterói (RJ) em 1960 e concluiu o curso de preparação à carreira de diplomata em 1982. Entre outros cargos, foi coordenador de Relações Internacionais da prefeitura do Rio de Janeiro (RJ), de 2013 a 2017. No exterior, trabalhou nas embaixadas de Moscou, Paris e Montevidéu. É o embaixador do Brasil no Suriname desde 2017.

Laudemar destacou que os laços diplomáticos com o Irã vêm desde 1903 e apontou que a atenção do Brasil é direcionada para os interesses comerciais e para a defesa dos direitos humanos. Segundo o diplomata, a questão nuclear é sensível na relação diplomática com o Irã. Ele ainda ressaltou o fluxo do comércio, manifestou preocupação com as consequências da pandemia do coronavírus e agradeceu a atenção do Senado com os indicados.

— A política exterior brasileira se beneficia cada vez mais da participação ativa do Legislativo — disse o diplomata.  

O senador Antonio Anastasia (PSD-MG) foi o relator da indicação de Laudemar Neto. Anastasia destacou que o Irã tem uma população de 84 milhões de habitantes. O idioma oficial do Irã é o farsi (persa) e a religião de 89% dos iranianos é o islamismo xiita. Conforme informou o senador, as exportações brasileiras somaram US$ 2,2 bilhões e as importações brasileiras, US$ 116 milhões, resultando em um saldo amplamente favorável ao Brasil. Basicamente, o Brasil exportou milho, soja e carne e importou adubos.

Burkina Fasso

Com a aprovação do Plenário, o que deve ocorrer nesta terça-feira (22), a diplomata Ellen Osthoff Ferreira de Barros será a nova embaixadora do Brasil em Burkina Faso — país da África Ocidental com população estimada em 20 milhões de habitantes. Ellen nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 1957 e ingressou na carreira diplomática em 1980. Em sua carreira, já exerceu funções nas embaixadas de Tóquio, Buenos Aires e Madri. Em 2015, foi agraciada com a Ordem de Rio Branco, grau de Comendador.

A diplomata informou que Burkina Faso significa “terra dos homens íntegros”. Segundo ela, o país tem cerca de 60 etnias e ricas reservas minerais. Ellen de Barros ressaltou que, recentemente, o país vem atraindo ações diplomáticas e econômicas, pois vem crescendo a média de 6% nos últimos cinco anos. Ela ainda destacou que o islamismo, religião dominante no país, é de uma linha mais moderna, sem fundamentalismos, inclusive com permissão às mulheres para votar e dirigir.  

— Minha intenção é potencializar os intercâmbios universitários e ampliar a troca de conhecimentos técnicos. Vou a Burkina Faso com muito entusiasmo — afirmou.

Por meio do Portal e-Cidadania, um internauta questionou a diplomata sobre como o Brasil pode colaborar com a democracia de Burkina Faso. Ellen apontou que a ideia de democracia no país é recente, depois de um presidente ter ficado 27 anos no poder e ter sido deposto por uma revolta popular em 2014. Segundo a diplomata, a comunidade internacional está bem atenta à atual situação no país e o Brasil pode continuar emprestando seu apoio para que o processo democrático seja implantando e ampliado.

Ellen de Barros teve sua indicação relatada pelo presidente da CRE, senador Nelsinho Trad. De acordo com Nelsinho, as relações comerciais entre o Brasil e Burkina Faso passaram por um período de diversificação nos últimos anos, com a exportação de produtos brasileiros com maior valor agregado. Em 2011, a venda de três aviões Super Tucano da Embraer para a Força Aérea de Burkina Faso foi responsável pelo maior fluxo de comércio dos últimos 15 anos, alcançando quase US$ 50 milhões. Outros itens exportados para aquele país incluem máquinas, armas e pneus.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: http://www12.senado.gov.br/noticias/noticias/materias/2020/09/21/cre-aprova-indicacoes-para-embaixadas-em-burkina-faso-ira-e-africa-do-sul
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