Representantes da CNA manifestam-se contra o tabelamento de fretes

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou da audiência pública sobre tabelamento de fretes, realizada na tarde desta segunda-feira (27), no Supremo Tribunal Federal (STF). Para a entidade, estabelecer um preço mínimo para o transporte rodoviário de cargas impacta de forma negativa a economia brasileira.

Um dos representantes da CNA, Bruno Barcelos Lucchi falou sobre a grande influência do frete na propriedade rural, seja ela pequena, média ou grande. Ele afirmou que a maior parte dos insumos agropecuários são importados, a exemplo dos fertilizantes, sementes, defensivos e medicamentos veterinários. Segundo Bruno Lucchi, o produtor utiliza o frete não apenas para comprar insumos, mas também para comercializar seu produto. “Se ele for um pequeno horticultor ou fruticultor, vai comercializar diretamente com feiras e centrais de abastecimento e precisará de transporte semanal para levar produtos com qualidade”, observou.

Para o representante da CNA, a indefinição atual no preço do frete prejudica o mercado futuro, impactando de forma drástica os negócios no Brasil, porque “o produtor não tem uma das variáveis que compõe o preço a ser aplicado”. Bruno Lucchi explicou que não é o produtor que constrói o valor que vai receber “é o mercado doméstico e o internacional”, além do momento de instabilidade política pela qual o país passa com a proximidade das eleições.

Agronegócio brasileiro

Também em nome da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, falou o economista Luiz Antônio de Camargo Fayet, que destacou o grande desenvolvimento do agronegócio brasileiro. Segundo ele, em 50 anos, passou de comprador de alimentos para o atual segundo maior exportador. “O agronegócio é importante para abastecer o mercado interno e captar riquezas do mercado internacional para o Brasil”, disse. Para o economista, sem o agronegócio a situação do país seria crítica e uma das razões é o envolvimento de milhões de pessoas no processo de produção.

O economista salientou que às vezes os preços aplicados pelos produtores são baixos e não representam os custos reais, levando a um processo de adaptação. “Em muitos momentos temos dificuldade na consolidação de cálculos de custos, mas essa tabela é inaplicável e poderá determinar distorções inaceitáveis”, avaliou. Ele observou que existem erros na tabela publicada recentemente e que representa um risco à lei da oferta e da procura. “Vemos com esse movimento um risco muito grande, porque há uma tendência de tomar medidas esdrúxulas para tentar ingressar no meio concorrencial”, afirmou.

De acordo com Luiz Antônio Fayet, o Brasil precisa e pode produzir muito mais. “Temos condições de buscar no mercado internacional muito além do que ofertamos e isso é vida ou morte para um país que tem 13 milhões de desempregados”, destacou. Para ele, é preciso fugir do atraso, avançando em outros aspectos para melhorar a competividade do país e ganhar mais mercado externo.

EC/EH
 

Fonte: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=388040
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