Senado tem plano de preservação de documentos históricos em parceria com a UnB

Para evitar tragédias como a que ocorreu no Rio de Janeiro, com o incêndio que destruiu 90% do acervo do Museu Nacional, o Senado tem se preparado há algum tempo com ações de preservação do seu patrimônio histórico. Dentro do Projeto Estratégico de Gestão Arquivística e Preservação da Memória do Senado Federal, executado pela Secretaria de Gestão de informação e Documentação em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), há uma ação planejada para análise de riscos dos acervos.

A arquivista Samanta Nascimento, da equipe de gerenciamento do projeto estratégico, explica que já está em andamento uma análise minuciosa em todos os documentos do Brasil Império que estão no acervo do Serviço de Arquivo Histórico. O Senado é o depositário principal e detém o texto original de documentos como as Leis da Escravidão (Áurea, do Ventre Livre, Sexagenários e Proibição do Tráfico Negreiro).

— Essa análise é de extrema importância para a preservação desses documentos de valor histórico. Além disso, a UnB deverá fazer uma análise ambiental com vistas à elaboração de um plano de gestão de riscos e prevenção de desastres — explica.

A Coordenação de Arquivo do Senado abriga ainda outros documentos importantes da história do Brasil. Entre eles, constam orçamentos do Império; as Constituições de 1889, 1946 e 1988; manuscritos originais de discursos feitos na abertura e no encerramento das sessões legislativas da Assembleia-Geral da época do Império, entre 1826 e 1889.

Também preserva registros oficiais referentes à Guerra do Paraguai, à transferência da capital para Brasília e às renúncias dos presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor, entre vários outros documentos de valor histórico.

Digitalização e disponibilização do acervo

Samanta Nascimento destaca a digitalização como um outro passo importante com vistas à preservação. Pois, após o correto arquivamento desse material, haverá a disponibilização das imagens em plataforma de difusão de documentos na internet, tornando-os mais acessíveis à população.

— Com isso, os documentos originais não precisarão ser manipulados para pesquisa e o Senado terá, ainda, sua reprodução digital em alta qualidade e em conformidade com as recomendações técnicas de digitalização de documentos permanentes — acrescenta.

Restauração

Liderado pela pesquisadora da UnB, Silmara Küster, professora do curso de Museologia e especialista em conservação de obras sobre papel, esse trabalho está sendo feito em conjunto com os restauradores do Serviço de Conservação e Preservação de Acervos e tem por objetivo identificar quais documentos carecem de restauração, quais requerem apenas intervenções preventivas e quais estão em bom estado de conservação. Também participam dessa etapa estagiários de Arquivologia da UnB e servidores do Senado, uma vez que é preciso capacitá-los na atividade para a sustentabilidade do procedimento após o término do projeto.

A professora diz que o diagnóstico exige observação e identificação de fatores de degradação. E que foi preciso elaborar uma ficha de diagnóstico para ser preenchida, contendo vários itens de verificação, tais como: sujidades, rasgos, furos, insetos, manchas de fungos, fungos ativos, tipo de papel etc.

— Na ficha, fazemos indicação se o documento está apto a ser digitalizado, se necessita de tratamento de conservação curativa ou restauração. Esse procedimento antecede a etapa de digitalização. Os documentos aptos a serem digitalizados são então liberados. Nos demais, estamos realizando procedimentos de conservação curativa e estabilização, para posteriormente serem digitalizados.

Prevenção de tragédia

O projeto estratégico realizado no âmbito do Arquivo Histórico do Senado prevê um diagnóstico de conservação das condições atuais da edificação e do acervo, visando identificar a que riscos o arquivo está sujeito agora e no futuro.

Silmara Küster explica que, por meio de um diagnóstico de riscos, é possível estabelecer ações de preservação a curto, médio e longo prazo.

— É importante destacar que risco é a possibilidade de perda. Ocorre em vários graus, uma vez identificados os riscos e os perigos que o potencializam, tomar as providências para bloqueá-los ou minimizá-los certamente diminuirá a probabilidade de acontecer algum sinistro, como o que ocorreu no Museu Nacional esta semana — alerta a pesquisadora.

Ela também explica que é preciso identificar quais as causas que podem desencadear um incêndio, como falta de vistoria elétrica.

— Uma vez o incêndio iniciado, os materiais construtivos e os materiais de acervos, por serem combustíveis, potencializam o sinistro. Então é uma soma de fatores. É importante que a edificação tenha autorização do Corpo de Bombeiros para o funcionamento, ter extintores adequados, treinamento de pessoal e resposta imediata para emergência — sugere.

Entre os principais cuidados a serem tomados, a professora da UnB enumera algumas ferramentas e técnicas necessárias para se evitar um incêndio em um acervo:

  • sistemas de alarme;
  • uso de sprinklers;
  • uso de extintores adequados e dentro da validade;
  • treinamento de pessoal até a chegada do corpo de bombeiros;
  • localização do quadro de luz.

Com esses cuidados sendo observados durante a execução do Projeto de Preservação de Memória do Senado, a possibilidade de uma tragédia ocorrer é mínima, finaliza a pesquisadora.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: http://www12.senado.gov.br/noticias/noticias/materias/2018/09/11/senado-tem-plano-de-preservacao-de-documentos-historicos-em-parceria-com-a-unb
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